terça-feira, 30 de junho de 2015

O que "viajar" significa pra mim.

 
           Tem um texto de Amyr Klink, que resume um pouco do meu sentimento:
 
     “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio, para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo, para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e, simplesmente, ir e ver.” Amyr Klink
      Quando eu era criança nunca imaginei que, um dia, viajaria pra tão longe. Eu sabia das nossas limitações e as aceitava muito bem. Sou de uma família amorosa e simples, que, sempre que podia, cumpria o hábito de tirar férias no verão, e que, quase sempre, pelas possibilidades e circunstâncias financeiras, escolhia veranear em alguma praia próxima a minha cidade natal. Tenho doces lembranças dos meus passeios em família, e isso realmente ficará para sempre em mim, mas, em um dado momento da minha existência, senti que eu queria ir além das ondas do mar que banham o litoral a 50 km da minha casa. No entanto, até então, eu não sabia até onde meus sonhos poderiam ser realizados.




 
      No final da minha adolescência, começou a brotar em mim uma imensa curiosidade de descobrir o mundo. Queria saber o que era enfrentar uma temperatura suficientemente abaixo dos 20ºC, ou como era pisar em um território construído por povos exterminados em guerras medievais, ou ainda, como era a sensação de se esforçar para ser compreendida por não saber falar perfeitamente a língua local. É verdade que o Brasil tem muitas belezas naturais, mas o meu íntimo não queria mais estar em um lugar que me entendesse maravilhosamente bem e que a arquitetura e as leis são praticamente iguais às de minha cidade.
 
      Essa necessidade de conhecer o“inusitado” foi sendo amadurecida nos meus planos, ano a ano, dia após dia, até que, depois do meu primeiro ano em uma carreira estabilizada, eu pude dar, com segurança, o primeiro grande passo para "tocar as nuvens". Foi com 22 anos a minha primeira viagem internacional, a minha primeira viagem de avião, a minha primeira experiência como turista.






      Simplesmente, ler e exercitar a imaginação é maravilhoso. Mas o prazer de "viajar por mim", com meus olhos e pés, assim como Almyr Klink descreve, é incomparável. Ficção e realidade são duas paixões que tem moradas distintas em meu coração.


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