Tem um texto de Amyr Klink, que resume um pouco do meu sentimento:
“Um homem precisa viajar. Por
sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por
si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as
suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio, para desfrutar o
calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo, para estar bem sob o
próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar
essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente
como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando
deveríamos ser alunos, e, simplesmente, ir e ver.” Amyr Klink
Quando eu era criança nunca imaginei que, um dia, viajaria pra tão longe. Eu sabia das nossas limitações e as aceitava muito bem. Sou de
uma família amorosa e simples, que, sempre que podia, cumpria o hábito de tirar férias no verão, e
que, quase sempre, pelas possibilidades e circunstâncias financeiras, escolhia
veranear em alguma praia próxima a minha cidade natal. Tenho doces lembranças
dos meus passeios em família, e isso realmente ficará para sempre em mim, mas, em um dado momento da minha existência,
senti que eu queria ir além das ondas do mar que banham o litoral a 50 km da
minha casa. No entanto, até então, eu não sabia até onde meus sonhos poderiam ser realizados.
No final da minha
adolescência, começou a brotar em mim uma imensa curiosidade de descobrir o
mundo. Queria saber o que era enfrentar uma temperatura suficientemente abaixo
dos 20ºC, ou como era pisar em um território construído por povos exterminados
em guerras medievais, ou ainda, como era a sensação de se esforçar para ser
compreendida por não saber falar perfeitamente a língua local.
É verdade que o Brasil tem
muitas belezas naturais, mas o meu íntimo não queria mais estar em um lugar que
me entendesse maravilhosamente bem e que a arquitetura e as leis são
praticamente iguais às de minha cidade.
Essa necessidade de conhecer
o“inusitado” foi sendo amadurecida nos meus planos, ano a ano, dia após dia,
até que, depois do meu primeiro ano em uma carreira estabilizada, eu pude dar,
com segurança, o primeiro grande passo para "tocar as nuvens". Foi
com 22 anos a minha primeira viagem internacional, a minha primeira viagem de
avião, a minha primeira experiência como turista.
Simplesmente, ler e exercitar a imaginação é maravilhoso. Mas o prazer de "viajar por mim", com meus olhos e pés, assim como Almyr Klink descreve, é incomparável. Ficção e realidade são duas paixões que tem moradas distintas em meu coração.
Simplesmente, ler e exercitar a imaginação é maravilhoso. Mas o prazer de "viajar por mim", com meus olhos e pés, assim como Almyr Klink descreve, é incomparável. Ficção e realidade são duas paixões que tem moradas distintas em meu coração.

Nenhum comentário:
Postar um comentário